FAMÍLIAS TIZIANEL

No início da pesquisa, acreditei que encontraria 02 ramos de famílias TIZIANEL, imigrantes da Itália para o Brasil; um encabeçado por Gio Maria Tizianel e Giovanna Zanolin e outro por Enrico Tizianel e Felicita De Riz.

Lendo uma notícia no Jornal da Cidade de Bauru (SP), encontrei o nome de Maria Marli Tizianel. Quando a localizei, soube que era outro ramo de família TIZIANEL, cujo sobrenome permaneceu intacto na família no Brasil, precisamente em Bariri (SP). Era o 3º. ramo de Tizianel.

Em 2006, através de contatos no ORKUT, de meu primo Fernando Augusto com Carla Patrícia Ticianeli, soube que ela procurava, sem sucessos, o local na Itália do nascimento de seu bisavô Luigi Tizianel, casado com Ângela Polese. Nos documentos que Carla possuía (como a maior parte dos descendentes no Brasil) os sobrenomes variavam muito e principalmente da bisavó estava errado. Em minhas anotações do Índice de Imigrantes que entraram pela Hospedaria dos Imigrantes de São Paulo, encontrei Luigi Tizianel, que não aparece no site, nem pesquisando diretamente no Memorial dos Imigrantes/SP, que depois de consultado, localizou uma família com 19 pessoas, inclusive os trisavôs de Carla, que a família remanescente desconhecia. Também as minhas anotações dos livros de registros da cidade de Polcenigo (PN) Itália ajudaram-nos a encontrar o sobrenome original de sua bisavó (Polese). Seria então o 4º. ramo de imigrantes TIZIANEL no Brasil.

Em junho/08 encontrei que o filho de Luigi Tizianel e Angela Polese, de nome FRANCESCO foi batizado com o nome de FRANCESCO-PIETRO TIZIANEL e se casou 02 vezes: primeiramente com Amélia Zenaro em 27/janeiro/1900, em Jaú (SP). Ela faleceu em 08/maio/1823, em Jaú (SP). Em 15/outubro/1925 casou-se em Bariri (SP) com ANGELA PAZETTA, em segunda núpcias.

Encontrado que Enrico Tizianel era filho de Francesco Tizianel e Maria De Riz, e neto de GIUSEPPE TIZIANEL DEL COLLE, assim como Luigi Tizianel. Portanto, as árvores genealógicas encabeçadas por “FRANCESCO TIZIANEL E ANGELA PAZETA” e “LUIGI TIZIANEL E ANGELA POLESE” se encontraram, se fundiram em uma e estão na AG “Desembarque pelo Porto de Santos (SP)”.

Nesse momento (JUN/08), poderia juntar a essa nova árvore a maior delas denominada ‘TIZIANEL, GRIGOLIN, FRARE/FERRARI, BARBIERI”, pois alguns descendentes dos primeiros TIZIANEL se casaram com os OTTENIO de ambas as árvores, assim como com os Benfatti. Mas, vamos esperar por unir TIZIANEL com TIZIANEL.

Em 2007 recebi um livro de Polcenigo, onde consta entre outros imigrantes, a família de Giuseppe Tizianel e Anna Scarpat, e seus dois filhos, que desembarcaram no Porto de Vitória - Espírito Santo. Por ora, é o 3º. ramo de TIZIANEL no Brasil.

Após o lançamento do site em setembro/2007, pesquisando site e material do APE-ES  - Arquivo Público do Estado do Espírito Santo (ES), Brasil, descobri que mulheres TIZIANEL casadas com homens de famílias FANTIN aqui chegaram anteriormente, como descrito no início do site em novembro/2007. Esses novos ramos foram inseridos no item “ÁRVORES GENEALÓGICAS” - Desembarque pelo Espírito Santo”.
Consultado o APE-ES como teria ficado o sobrenome TIZIANEL POR AQUELE ESTADO, soube que pode ser encontrado com as grafias de TISSIANEL e TICIANEL.

Pesquisando no CHF/Mórmons, os microfilmes de registro civil de Polcenigo, a partir de outubro/1871, ainda não me foi possível estabelecer parentesco entre “os chefes” dessas famílias. Por exemplo: um casal teve muitos filhos. Cada filho desses casou e teve outros muitos filhos. Os nomes se repetiram entre os irmãos, sobrinhos, e assim por diante. O que podemos diferenciar é a data de nascimento e sua mãe. Mas como escrevi anteriormente, os primeiros imigrantes e seus descendentes tinham uma relação de amizade, eram padrinhos e testemunhas conjuntamente nos atos de casamento, batismo, nascimento. Não só os Tizianel com Tizianel, mas Tizianel com Foloni, Tizianel e Ferrari, Tizianel e Grigolin, Tizianel e Scandolo.

 INDEPENDÊNCIA ITALIANA

A Itália chegou tarde à independência do Império Austro-Húngaro e à unidade político-territorial – somente em 1860. Roma é a capital da Itália desde 1870.
Dos que lutaram pela independência, a figura mais conhecida no exterior, principalmente aqui no Brasil, é o General Giuseppe Garibaldi (nascido em Nice, em 04/07/1807 e morreu em Caprera – uma ilha pouco ao norte da Sardenha, em 02/06/1882), com a sua legendária expedição dos 1000.
Breves biografias de Giuseppe e Anita Garibaldi:
http://www.e-biografias.net/biografias/giuseppe_garibaldi.php
http://www.e-biografias.net/biografias/anita_garibaldi.php

Outros que também lutaram pela independência, conhecidos como “Pais da Pátria”, são: Giuseppe Mazzini, Camilo Benso Conte di Cavour, o rei Vitório Emanuel Segundo.

Quer saber mais sobre o Reino Lombardo-Vêneto e Império Austro-Húngaro?
Acesse: http://pt.wikipedia.org/wiki/Reino_Lombardo-V%C3%AAneto

Os registros de Estado Civil (Ufficio di Anagrafe) iniciaram no final de 1871 nas prefeituras das cidades. Antes deste período, os registros de nascimentos, casamentos e óbitos devem ser procurados nas paróquias italianas. Em Polcenigo (PN), o Ufficio di Anagrafe iniciou em outubro/1871.

 O embarque na Itália

A Itália ficou dividida em 02 partes para os embarques:
- Os imigrantes do norte embarcavam pelo Porto de Gênova e
- Os imigrantes do sul pelo Porto de Nápoles.

Os italianos do norte atravessavam o país de trem até a cidade de Gênova e ficavam aguardando o embarque nos vapores que vinham para o Brasil, ou para Argentina, ou Estados Unidos, que eram os principais países vislumbrados pelos imigrantes.
A viagem em navios a vapor, no final do século XIX, da Itália ao Brasil, durava em média 30 dias (01 mês).
Antes de 1877, recebemos principalmente os imigrantes alemães e suíços.
Em 1877, os primeiros imigrantes italianos desembarcaram no Brasil e foram para o Estado do Espírito Santo.
Em 1882, começou a imigração para os Estados de São Paulo e Rio de Janeiro e depois para o sul do Brasil, onde o clima era mais parecido com o clima europeu.

 A VINDA DOS POLCENIGHESES

Conforme trechos do livro “Storie Polcenighesi”, de Alessandro Fadelli, Polcenigo/2003:

 “Os polcenigheses, no curso de 1700 e por boa parte de 1800, sofriam largamente de Pelagra, tinham uma alimentação monotonamente centrada sobre a polenta. Antes dessa época muitos, não todos, morriam de fome, da peste e das guerras. Sonhavam com salsichas suspensas em árvores e que os rios eram de leite.

E continua: A Pelagra, conhecida como Mal da Rosa ou Escorbuto Alpino, na realidade se tratava de uma forma de falta de Vitamina C.
(Conforme Dicionário Aurélio Buarque de Holanda Ferreira: Pelagra S.f. Patologia. Avitaminose caracterizada por eritema das partes descobertas e por perturbações digestivas, nervosas e mentais).
Saiba mais em: http://www.infoescola.com/doencas/pelagra/
Foto em http://www.odissee.it/italia03.spm

 

O milho ou grão turco foi introduzido por Colombo na Europa. Chegou ao Vêneto ao fim de 1500 e logo depois de 1600, provavelmente no segundo decêndio, em Friuli. O cereal americano era a resposta definitiva, quase mágica, à fome e à carestia que por séculos angustiava e ceifava as populações de camponeses, agricultores. O grão era resistente e se adaptava a quase todos os solos. Bastava integrar à dieta à base de polenta, quantidades modestas de carne, fígado, peixe e laticínios, mas também legumes e alguns tipos de verdura fresca, para fornecer uma dose de vitamina PP (Pelagra-Preventiva) para acabar com o risco da Pelagra.

Entre o povo se dizia: “la polenta la contenta”

 Outro ditado popular:
La polenta è una signora
Chi la guarda s´innamora
Chi la mangia si sostenta
Benedetta la polenta!

Tradução:
A polenta é uma senhora
Quem a olha se enamora
Quem a come se sustenta
Bendita a Polenta!

Nos registros de morte de Polcenigo (PN) pode-se encontrar como causa morte:
- 1816: pelagrosa maníaca.
- 1845: de muito tempo mentecapto por Pelagra.
- 1850: pessoa afetada por Pelagra e debilidade intelectual (imbecilidade).
- e por assim vai.

No ano de 1870, último ano para os quais os registros civis mostram como causa de morte 02 casos por Pelagra. Em tudo, nos 55 anos, entre 01/01/1816 e 31/12/1870, mais de 200 polcenigheses perderam a vida por culpa da doença Pelagra. Em outras cidades vizinhas à Polcenigo, morreram mais pela doença – 68 pessoas entre 1000 habitantes.

A partir de 1896 a doença teve seu declínio, devido ao progresso agrícola, às instalações para tratamentos dos doentes, ao progresso da medicina após 1900.

As mulheres polcenigheses contribuíram de maneira substancial ao trabalho familiar, juntos e ao lado dos homens da casa, que frequentemente não estavam presentes, empenhados na emigração temporária à Veneza, à Trieste, na Istria ou no Império Austro-Húngaro.

Também as mulheres percorreram a estrada da emigração, principalmente à Veneza, para trabalhar como criadas, babás ou carregadoras de água. As criadas e as babás friulanas, e talvez também aquelas de Polcenigo, eram pessoas muito apreciadas em Veneza pelas suas bravuras, pela afabilidade e, sobretudo pelas minguadas pretensões econômicas; mesma coisa para as carregadoras de água, figura indispensável para sanar o aprovisionamento hídrico das casas na cidade de lagunas através de um trabalho tanto humilde e mal retribuído quando fatigoso (levar baldes d´água todo o dia não era um divertimento). Muitas se mantinham com o trabalho e mantinham a família.

Uma exceção à fragilidade feminina, a robusta babá Maria Polese no final de 1800 foi escolhida em Udine entre 18 candidatas à babá para ir à corte de Francesco Giuseppe (sim, é ele mesmo, o famoso Cecco Beppe, o marido de Sissi!) para amamentar uma sobrinha do imperador.

Não eram todos de classe social inferior, mas uma bela fatia da população.
A incidência de natimortos, ou bem pequenos, era grande. Uma entre 3 crianças, não chegaria à idade adulta. A mulher desnutrida ou mal-nutrida e cansada dos pesados trabalhos domésticos e agrícolas, chegavam cansadas à hora do parto ou em péssimas condições de saúde, e muitas vezes aconteciam os abortos ou as crianças morriam nas primeiras horas após o parto.

As causas das mortes só começaram a ser anotadas nos registros paroquiais a partir de 1816, por determinação austríaca.

A medicina se dispunha de poucos instrumentos e conhecimentos. A dificuldade do parto e, sobretudo a quase total assepsia das práticas obstetrícias por parteiras (a água quente era o máximo de desinfetante disponível), também as mães morriam no ou após o parto por hemorragias, infecções, febre púrpura.

Um dos costumes da época: Para conservar o patrimônio familiar, raramente as filhas eram beneficiadas no testamento do pai, quase sempre destinados para os filhos masculinos, o primogênito em particular.

 

Pesquisa e Site por Tânia Mara Tizianel Martins
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